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Santa Teresinha do Menino Jesus: a pequena via que conquistou o mundo, e que chegou primeiro ao Brasil

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Na tarde de 30 de setembro de 1897, numa cela do Carmelo de Lisieux, na Normandia, uma jovem freira de 24 anos olhou para o crucifixo e disse suas últimas “Meu Deus, eu Vos amo!” Morria de tuberculose, desconhecida fora dos muros do convento. Menos de trinta  anos depois, era venerada nos cinco continentes. Hoje, 1º de outubro, a Igreja celebra a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, padroeira das missões e Doutora da Igreja. E poucos sabem que o primeiro santuário do mundo erguido em sua honra não está na França, mas no interior de São Paulo, em Taubaté.

Uma família de santos

Maria Francisca Teresa Martin nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873. Era a caçula dos nove filhos de Luís e Zélia Martin, um relojoeiro e uma rendeira que fizeram do lar uma pequena igreja. Os dois foram canonizados juntos pelo Papa Francisco em 2015, o primeiro casal a ser proclamado santo na mesma cerimônia. Das cinco filhas que sobreviveram, todas se tornaram religiosas.

A infância de Teresa foi marcada pela dor. Aos quatro anos perdeu a mãe, e a família mudou-se para Lisieux. Aos dez, caiu gravemente doente e foi curada, como ela mesma contou, pelo "sorriso de Nossa Senhora", quando a imagem da Virgem pareceu sorrir para ela.

A graça do Natal e a "corrida de gigante"

Teresa era uma menina sensível, que chorava por tudo. Na noite de Natal de 1886, voltando da Missa, recebeu o que chamou de sua "completa conversão": de repente, encontrou forças para esquecer-se de si mesma e pensar nos outros. Começava, em suas palavras, uma "corrida de gigante".

Pouco depois, rezou com toda a alma pela conversão de Henri Pranzini, um criminoso condenado à morte que se recusava a receber os sacramentos. No cadafalso, Pranzini pediu o crucifixo e o beijou. Teresa o chamou de seu "primeiro filho". Bento XVI viu ali a primeira experiência de maternidade espiritual da santa.

Ela queria entrar no Carmelo aos 15 anos, onde já estavam suas irmãs. Diante das negativas, em novembro de 1887 foi em peregrinação a Roma e, numa audiência, ajoelhou-se diante do Papa Leão XIII para pedir a autorização. Em 9 de abril de 1888, atravessou a porta do Carmelo de Lisieux.

A pequena via

No Carmelo, Teresa não fez nada de extraordinário aos olhos do mundo. Varreu corredores, lavou roupa, cuidou das noviças, suportou com um sorriso as irmãs difíceis. Mas descobriu um caminho que mudaria a espiritualidade do século XX: a pequena via da confiança e do amor.

Ela se sabia pequena demais para subir a "rude escada da perfeição". Então pediu a Jesus que fosse o seu elevador. A santidade, para ela, não estava em grandes feitos, mas em fazer as pequenas coisas com grande amor, abandonada nos braços de Deus como uma criança nos braços do pai. Ao buscar o seu lugar na Igreja, encontrou-o: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor."

9 de junho de 1895, ofereceu-se como vítima ao Amor misericordioso de Deus. A pedido das superioras, escreveu suas memórias, publicadas depois da sua morte como História de uma Alma, um dos livros espirituais mais lidos de todos os tempos.

Seus últimos 18 meses foram de doença e de uma escuridão interior dolorosa: as dúvidas contra a fé a assaltavam, e ela continuava a crer e a amar. Antes de morrer, prometeu: "Quero passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra." E acrescentou que faria cair uma chuva de rosas. Por isso é representada com o crucifixo coberto de rosas nos braços.

De carmelita escondida a Doutora da Igreja

A Igreja reconheceu sua santidade com uma rapidez rara:

Taubaté: o primeiro santuário do mundo

A fama de Teresinha correu o mundo depressa, e chegou cedo ao Vale do Paraíba. Em 1925, o mesmo ano da canonização, o bispo de Taubaté, Dom Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, criou por decreto a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, tendo como primeiro pároco o Monsenhor Cícero de Alvarenga Peixoto.

Em 1929 foi inaugurado o santuário. Segundo a Diocese de Taubaté, ele é "o primeiro erguido no mundo em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus", e sua arquitetura foi inspirada na igreja de Saint-Pierre de Lisieux, a cidade onde a santa viveu. A Basílica de Lisieux, na França, só seria consagrada em 1954.

Quase um século depois, o Santuário de Santa Teresinha continua sendo um ponto de referência da fé em Taubaté, na praça que leva o nome da santa, no centro da cidade. Ali, todos os dias, devotos levam suas intenções a quem prometeu passar o céu fazendo o bem na terra.

Para visitar:

Horários conforme a página da Diocese de Taubaté; vale confirmar antes da visita, especialmente nos dias de festa.

O que Teresinha ensina a quem lidera

Pode parecer estranho buscar lições de liderança numa freira que morreu aos 24 anos e nunca comandou nada. Mas Teresinha foi mestra de noviças, e o que ela ensinou vale para qualquer pessoa com uma missão:

  1. A fidelidade nas pequenas coisas é a grande obra. Nenhuma missão se sustenta sem o trabalho escondido de cada dia.
  2. Confiança, não autossuficiência. Teresinha não negava suas limitações; entregava-as a Deus. Quem lidera não precisa fingir que é forte.
  3. Amar quem é difícil. Ela procurava de propósito a irmã que mais a irritava, para tratá-la com mais carinho.
  4. Formar com verdade e ternura. Com as noviças, não fazia concessões, mas tudo nascia do amor.
  5. A missão não depende do tamanho do palco. Sem sair de Lisieux, tornou-se padroeira das missões do mundo inteiro.

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Neste dia de festa, peça a Santa Teresinha a graça de viver a pequena via: fazer as coisas de todos os dias com grande amor e confiança. No Seedtime, o primeiro app de meditação católica em língua portuguesa, você encontra um momento de oração por dia, no seu celular, onde estiver.

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Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

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