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Meditação

Dia de Finados: como ganhar a indulgência plenária pelas almas do purgatório

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Por José Caetano · Instituto Católico de Liderança

Todo ano, no dia 2 de novembro, os cemitérios do Brasil se enchem de flores, velas e famílias inteiras. Há saudade, há lágrimas, há memória. Mas, para o católico, Finados não é apenas um dia de lembrança: é um dia de ação. A Igreja nos coloca nas mãos um meio concreto de ajudar quem já partiu: a indulgência plenária em favor das almas do purgatório. E, neste ano, a segunda-feira, 2 de novembro, vem logo depois da Solenidade de Todos os Santos, celebrada no domingo, dia 1º. Duas datas que se explicam uma pela outra.

Por que rezamos pelos mortos?

Rezar pelos falecidos é tão antigo quanto a própria fé bíblica. No Segundo Livro dos Macabeus, Judas Macabeu manda oferecer um sacrifício pelos soldados mortos em combate, e o texto conclui que é "um santo e piedoso pensamento" rezar pelos mortos, "para que fossem libertados do pecado" (2Mc 12,45-46). Os primeiros cristãos rezavam pelos seus defuntos nas catacumbas, e a oração pelos mortos sempre fez parte da Missa.

A comemoração anual de todos os fiéis defuntos, no dia seguinte a Todos os Santos, foi instituída por Santo Odilo, abade de Cluny, por volta do ano 998, e logo se espalhou por toda a Igreja. Em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV concedeu a todos os sacerdotes a possibilidade de celebrar três Missas nesse dia, tantos eram os mortos que precisavam de sufrágio.

A lógica é bonita: no dia 1º celebramos os santos que já estão na glória; no dia 2, rezamos por aqueles que ainda estão a caminho dela. É a mesma Igreja, unida na comunhão dos santos: a Igreja que peregrina na terra, a que se purifica e a que já triunfa no céu.

O que é o purgatório?

O Catecismo da Igreja Católica ensina:

"Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu." (Catecismo, n. 1030)

O purgatório, portanto, não é um "inferno temporário". As almas que lá estão já estão salvas. O que lhes falta é a purificação completa do amor. Como bem se explica, ao rezar por elas "não buscamos a salvação delas, pois já estão salvas, mas a supressão de suas penas no Purgatório".

E aqui está o ponto decisivo: as almas do purgatório não podem mais merecer nada para si mesmas. O tempo do mérito terminou com a morte. Elas dependem da nossa caridade. Por isso o Catecismo acrescenta que a Igreja "recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos" (n. 1032). O Papa Bento XVI, na encíclica Spe Salvi (n. 48), lembra que ninguém se salva sozinho: as nossas vidas estão entrelaçadas, e o nosso amor pode alcançar quem já atravessou a morte.

O que é uma indulgência?

Quando confessamos, Deus perdoa a culpa do pecado. Mas o pecado deixa marcas, apegos desordenados que precisam ser curados, nesta vida ou no purgatório. A isso a Igreja chama pena temporal. A indulgência é justamente a remissão dessa pena:

"A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela ação da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos." (Catecismo, n. 1471)

A indulgência é parcial quando remite parte dessa pena, e plenária quando a remite inteiramente. E o mais importante para hoje: o Enchiridion Indulgentiarum, o manual oficial das indulgências publicado pela Penitenciaria Apostólica, determina que todo fiel pode ganhar indulgências "para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos a modo de sufrágio" (Norma 3).

Ou seja: uma indulgência plenária oferecida por um falecido pode significar, pela misericórdia de Deus, a entrada daquela alma no céu.

Como ganhar a indulgência plenária em Finados

O Enchiridion Indulgentiarum (concessão n. 29) prevê duas formas especiais de indulgência plenária, aplicáveis somente às almas do purgatório:

1. Visitar o cemitério, de 1º a 8 de novembro

Em cada um dos dias de 1º a 8 de novembro, o fiel que visitar devotamente um cemitério e ali rezar pelos falecidos, ainda que só mentalmente, pode ganhar uma indulgência plenária em favor de uma alma do purgatório.

São oito dias, oito oportunidades. Uma por dia.

2. Visitar uma igreja no Dia de Finados

No dia 2 de novembro, o fiel que visitar piedosamente uma igreja ou oratório e ali rezar um Pai-Nosso e um Credo pode ganhar a indulgência plenária pelas almas do purgatório. A visita pode ser feita do meio-dia do dia 1º até a meia-noite do dia 2 (Norma 14). Com o consentimento do bispo, essa indulgência também pode ser transferida para o domingo anterior ou posterior, ou para a Solenidade de Todos os Santos.

As condições de sempre

Para que a indulgência seja plenária, além da obra prescrita, a Igreja pede (Norma 20):

  1. Confissão sacramental. Pode ser feita alguns dias antes ou depois da obra. Uma única confissão vale para várias indulgências plenárias, então quem se confessar nesses dias pode aproveitar a semana inteira.
  2. Comunhão eucarística. É necessária uma comunhão para cada indulgência plenária, e convém que seja no mesmo dia da obra.
  3. Oração pelas intenções do Papa. Basta um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, embora o fiel possa escolher outra oração. Também é preciso uma para cada indulgência.
  4. Desapego de todo pecado, inclusive venial. É a condição mais exigente: rejeitar sinceramente qualquer afeição ao pecado. Se essa disposição não for completa, a indulgência será parcial, e mesmo assim terá valor.

Além disso, é preciso estar batizado, em estado de graça (ao menos ao terminar a obra) e ter a intenção, ainda que geral, de ganhar a indulgência (Norma 17).

Atenção: só se pode ganhar uma indulgência plenária por dia (Norma 18). E quem está legitimamente impedido, como doentes e idosos que não podem sair de casa, pode pedir ao confessor que comute a obra ou as condições por outra obra possível (Normas 24-25).

Um roteiro prático para a semana

Uma sugestão: faça uma lista. Os pais, os avós, os amigos, os colegas de trabalho que já partiram. E inclua também as almas esquecidas, aquelas por quem ninguém reza. Como pedimos na oração ensinada em Fátima: "socorrei principalmente aquelas que mais precisarem".

E fora desses dias?

A porta não se fecha no dia 8. Durante todo o ano, a Igreja oferece outras obras que permitem ganhar a indulgência plenária, sempre com as mesmas condições, e que podem ser oferecidas pelos falecidos. Entre elas:

E, até 10 de janeiro de 2027, segue aberto o Ano Jubilar Franciscano, pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis. Visitar uma igreja franciscana ou dedicada a São Francisco, ali rezar o Pai-Nosso, o Credo e uma invocação a Nossa Senhora, com as condições habituais, também permite ganhar a indulgência plenária, que pode ser oferecida por um falecido.

O que Finados ensina a quem lidera

Pode parecer que este tema não tem nada a ver com liderança. Tem tudo a ver.

  1. A missão continua depois de nós. Quem lidera bem sabe que o seu tempo é limitado. A pergunta não é se vamos partir, mas o que deixaremos e como chegaremos diante de Deus.
  2. Lealdade não termina com a morte. Rezar por quem nos formou, nos ajudou e trabalhou conosco é a forma mais alta de gratidão.
  3. Cuidar de quem não pode retribuir. As almas do purgatório não podem nos pagar. É caridade em estado puro, e é o tipo de serviço que distingue um líder cristão.
  4. A santidade é para agora. Já se disse, com razão, que quem nega o purgatório é, no fim, "alguém que não crê na santidade". Finados nos lembra que Deus nos quer inteiramente purificados, e que essa obra pode começar hoje.

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Neste mês de novembro, reserve alguns minutos por dia para rezar por aqueles que você ama e já partiram. No Seedtime, o primeiro app de meditação católica em língua portuguesa, você encontra um momento de oração por dia, no seu celular, onde estiver.

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Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz. Amém.

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